quinta-feira, 26 de abril de 2018

Paraty Paraíso


Américo Vespúcio, que veio comandando uma das três naves da expedição de Gaspar Lemos, após o descobrimento do Brasil, ao aportar em Paraty, por volta de 1502 escreveu - "Oh Deus, se na terra existisse um paraíso, não seria muito longe daqui!"

segunda-feira, 5 de março de 2018

Paraty - Pelourinho - 1660

  

PARATI - PELOURINHO – 1660

Em 1660, um paratyense decidido, o Capitão Domingos Gonçalves de Abreu, levantando-se contra a Vila de angras dos Reis da Ilha Grande, a cuja jurisdição estava sujeito o povoado, requereu diretamente ao Capitão-Mor da Capitania de São Vicente a sua elevação à categoria de Vila e, sem esperar resposta, erigiu às suas custas o pelourinho, símbolo de autonomia e autoridade. Durante sete anos a Câmara de Angra dos Reis lutou contra esse ato de rebeldia, mas uma Carta Régia de 28 de fevereiro de 1667 reconheceu a autonomia já de fato conquistada pelos “levantados” de Paraty.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Credo Caiçara - Poesia de Flávio de Araújo

Creio no pirão de gonguito com banana bacubita.
Na roça de feijão guandu, na cepa de mandioca
de sete ramas, no doce da cana caiana,
no limão em puxa-puxa.
Creio no café de garapa, na cavala salpresa.
No cará com melado, no desbulhar do milho,
no manuê de bacia e no cardo de caranha.
Creio no poder das ervas:
No chá de boldo amargoso no gorgomilo, no chá de losna,
no banhado de arnica e na santa Maria socada
com sal grosso e cânfo.
Creio na canoa de voga, no cerco na espia,
no espinhel preso à pôita, na rede de minjuada no lagamar.
Creio no remo de guacá, no samburá de imbé,
no náilon 0.40, na faca amolada em pedra de cachoeira.
Creio na tribuzana, nos primeiros ventos do sudunga,
nas gaivotas sobre as traineiras.
Nas modas de viola, rabeca e sanfona.
No mergulho da tesoureira.
Creio na rede tingida em casca de jacatirão e aroeira.
Na tainha com barriga de ova, no jirau de taquara,
no varal pra secar o peixe escalado, no caniço de bambu japonês.
Creio na voz do Brasil, na cabeça de maré,
no barro pro estuque e no covo.
No gemido do gaturamo e na malhação do Judas.
Creio no óleo de babosa, nas cantigas de roda,
nos barquinhos de cacheta e cajuja.
No olho dágua, no cachorro paqueiro.
Creio na chinela de dedo, na galinha botadeira.
Creio no furo do busano, no forneio de farinha,
No pargueiro, no calafeto de betume, nas lulas no zangarêio.
Creio na foice Tremontina, no bodoque de goiabeira,
No trabissero de marcela.
Creio no borrachudo, na lagosta pitu,
No guaiá, no marisco sururu.
Creio na corosena do fifó, na gadanha e na enxó.
No azulado do perau, no clareio depois do fuzilo.
Creio em Deus pai,
Creio em Deus filho.
E no Espírito Santo tumém.
Caiçara com muito orgulho.

domingo, 14 de abril de 2013

Quilombo Campinho da Independência

A comunidade de Campinho da Independência fica localizada no município de Paraty, ao sul do litoral do Estado do Rio de Janeiro, originada por três negras ex-escravas – Vovó Antonica, Tia Marcelina e Tia Luiza – na segunda metade do século 19, as três viviam dentro da casa grande da antiga Fazenda Independência, com o fim da escravidão, receberam terras do Senhor e continuaram vivendo onde está localizada a comunidade do Campinho da Independência. Conforme contam os moradores mais antigos.

Fundamentados na agricultura familiar, os quilombolas do Campinho produzem peças artesanais belíssimas, com palha, bambu, sementes e cipó, além de pratos tradicionais deliciosos. O Azul Marinho e outros aperitivos, preparados sempre no antigo fogão à lenha. Destaco a paçoca de banana, o pé-de-moleque, a farinha de coco Indaiá, socada no pilão, fabricação de farinha de mandioca, e os doces de frutas da região – irresistíveis.


Lugar que retrata bem como a comunidade se organizou social e economicamente, mantendo a base de um regime matriarcal. Os quilombos, em geral, são lugares ideais para se fazer turismo étnico, aprendendo sobre a cultura afro-brasileira, e ambiental, especialmente no caso do Campinho da Independência.


Atualmente o Quilombo do Campinho da Independência é reconhecida como o primeiro quilombo oficial do país e mantêm uma estrutura comunitária forte e organizada.

A cultura quilombola é muito rica e para não perdê-la a comunidade faz um trabalho de resgate das danças (jongo e capoeira), e das festas (Santa Cruz e da Semana da Cultura Negra).

Origem do Nome Caiçara


Caiçara é uma palavra de origem tupi-guarani que significa armadilha ou cerca de galhos e que é usada para denominar os habitantes das zonas litorâneas existentes originariamente na região sul do Estado do Rio de Janeiro, norte de São Paulo e se estendendo pelo litoral até o Paraná. No início era usada apenas para os indivíduos que viviam da Pesca de subsistência, mas passou a designar os nativos da região.