Américo Vespúcio, que veio comandando uma das três naves da expedição de Gaspar Lemos, após o descobrimento do Brasil, ao aportar em Paraty, por volta de 1502 escreveu - "Oh Deus, se na terra existisse um paraíso, não seria muito longe daqui!"
Este blog foi criado com o objetivo de apresentar a história,a cultura, suas lutas, suas necessidades e os diferentes modos de vida das Comunidades de Paraty. Sempre defendi a idéia de que uma cidade é muito mais do que um instrumento de política econômica, muito mais que um núcleo de polarização social. A alma de uma cidade, a força vital que a faz respirar, progredir, existir, reside em cada um de seus cidadãos, em cada pessoa que nela aplica e nela esgota o sentido da sua vida.
quinta-feira, 26 de abril de 2018
Paraty Paraíso
Américo Vespúcio, que veio comandando uma das três naves da expedição de Gaspar Lemos, após o descobrimento do Brasil, ao aportar em Paraty, por volta de 1502 escreveu - "Oh Deus, se na terra existisse um paraíso, não seria muito longe daqui!"
segunda-feira, 5 de março de 2018
Paraty - Pelourinho - 1660
PARATI - PELOURINHO – 1660
Em 1660, um paratyense decidido, o Capitão Domingos Gonçalves de Abreu,
levantando-se contra a Vila de angras dos Reis da Ilha Grande, a cuja jurisdição estava sujeito
o povoado, requereu diretamente ao Capitão-Mor da Capitania de São Vicente a sua elevação
à categoria de Vila e, sem esperar resposta, erigiu às suas custas o pelourinho, símbolo de
autonomia e autoridade. Durante sete anos a Câmara de Angra dos Reis lutou contra esse ato
de rebeldia, mas uma Carta Régia de 28 de fevereiro de 1667 reconheceu a autonomia já de
fato conquistada pelos “levantados” de Paraty.
sexta-feira, 24 de novembro de 2017
Credo Caiçara - Poesia de Flávio de Araújo
Creio no
pirão de gonguito com banana bacubita.
Na roça de
feijão guandu, na cepa de mandioca
de sete ramas,
no doce da cana caiana,
no limão em
puxa-puxa.
Creio no
café de garapa, na cavala salpresa.
No cará com
melado, no desbulhar do milho,
no manuê de
bacia e no cardo de caranha.
Creio no
poder das ervas:
No chá de
boldo amargoso no gorgomilo, no chá de losna,
no banhado
de arnica e na santa Maria socada
com sal
grosso e cânfo.
Creio na
canoa de voga, no cerco na espia,
no espinhel
preso à pôita, na rede de minjuada no lagamar.
Creio no
remo de guacá, no samburá de imbé,
no náilon
0.40, na faca amolada em pedra de cachoeira.
Creio na
tribuzana, nos primeiros ventos do sudunga,
nas gaivotas
sobre as traineiras.
Nas modas de
viola, rabeca e sanfona.
No mergulho
da tesoureira.
Creio na
rede tingida em casca de jacatirão e aroeira.
Na tainha
com barriga de ova, no jirau de taquara,
no varal pra
secar o peixe escalado, no caniço de bambu japonês.
Creio na voz
do Brasil, na cabeça de maré,
no barro pro
estuque e no covo.
No gemido do
gaturamo e na malhação do Judas.
Creio no
óleo de babosa, nas cantigas de roda,
nos
barquinhos de cacheta e cajuja.
No olho
dágua, no cachorro paqueiro.
Creio na
chinela de dedo, na galinha botadeira.
Creio no furo
do busano, no forneio de farinha,
No
pargueiro, no calafeto de betume, nas lulas no zangarêio.
Creio na
foice Tremontina, no bodoque de goiabeira,
No
trabissero de marcela.
Creio no
borrachudo, na lagosta pitu,
No guaiá, no
marisco sururu.
Creio na corosena
do fifó, na gadanha e na enxó.
No azulado
do perau, no clareio depois do fuzilo.
Creio em
Deus pai,
Creio em
Deus filho.
E no
Espírito Santo tumém.
Caiçara com muito orgulho.
segunda-feira, 17 de julho de 2017
terça-feira, 16 de julho de 2013
domingo, 14 de abril de 2013
Quilombo Campinho da Independência
A comunidade de Campinho da Independência fica localizada no município de
Paraty, ao sul do litoral do Estado do Rio de Janeiro, originada por três
negras ex-escravas – Vovó Antonica, Tia Marcelina e Tia Luiza – na segunda
metade do século 19, as três viviam dentro da casa grande da antiga Fazenda
Independência, com o fim da escravidão, receberam terras do Senhor e
continuaram vivendo onde está localizada a comunidade do Campinho da
Independência. Conforme contam os moradores mais antigos.
Atualmente o Quilombo do Campinho da Independência é reconhecida como o primeiro quilombo oficial do país e mantêm uma estrutura comunitária forte e organizada.
Fundamentados na agricultura familiar, os
quilombolas do Campinho produzem peças artesanais belíssimas, com palha, bambu,
sementes e cipó, além de pratos tradicionais deliciosos. O Azul Marinho e
outros aperitivos, preparados sempre no antigo fogão à lenha. Destaco a paçoca
de banana, o pé-de-moleque, a farinha de coco Indaiá, socada no pilão,
fabricação de farinha de mandioca, e os doces de frutas da região –
irresistíveis.
Lugar que retrata bem como a comunidade se
organizou social e economicamente, mantendo a base de um regime matriarcal. Os
quilombos, em geral, são lugares ideais para se fazer turismo étnico,
aprendendo sobre a cultura afro-brasileira, e ambiental, especialmente no caso
do Campinho da Independência.
Atualmente o Quilombo do Campinho da Independência é reconhecida como o primeiro quilombo oficial do país e mantêm uma estrutura comunitária forte e organizada.
A cultura quilombola é muito rica e para
não perdê-la a comunidade faz um trabalho de resgate das danças (jongo e
capoeira), e das festas (Santa Cruz e da Semana da Cultura Negra).
Origem do Nome Caiçara
Caiçara é uma palavra de origem tupi-guarani que
significa armadilha ou cerca de galhos e que é usada para denominar os
habitantes das zonas litorâneas existentes originariamente na região sul do
Estado do Rio de Janeiro, norte de São Paulo e se estendendo pelo litoral até o
Paraná. No início era usada apenas para os indivíduos que viviam da Pesca de
subsistência, mas passou a designar os nativos da região.
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